Distrito Design Entrevistas /

Entrevista com Bruno Faucz

Bruno Faucz, designer
Bruno Faucz, designer

1. Qual a sua formação profissional?

Sou formado em design de mobiliário pela Universidade do Contestado e cursei pós graduação em Master Design Internacional pela Sustentare Escola de Negócios.

2. Em que momento você decidiu ser designer?

Sempre fui ligado a áreas criativas, sempre desenhei, talvez eu tenha começado a desenhar antes de começar a falar. Ao optar por uma profissão eu tinha apenas uma certeza, precisaria ser em uma área criativa, optei por design e pude unir o útil ao agradável, oportunidade de trabalho com o universo pelo qual me profissionalizava, já que moro em um dos maiores polos moveleiros do Brasil.

3. Onde você busca inspiração para as suas criações?

A busca por inspiração é algo curioso, pois não existem momentos específicos. Sou muito observador e curioso, isso acaba favorecendo os momentos em que me ponho em frente a uma folha de papel. O teaser do livro “De onde vêm as boas ideias” diz o seguinte, “boas ideias favorecem mentes conectadas”, já Thomas Edison dizia “a genialidade é 90% transpiração e 10% inspiração”. Estas frases me fazem perceber o quão importante é ser observador e curioso para alguém que vive no universo criativo, boas ideias podem vir em momentos inusitados, no banho por exemplo, mas elas só vêm nesta hora porque estamos constantemente alimentando nossa mente.

4. Quantas peças vc já criou e quais as que você mais gosta?

Desenho produtos desde a época da faculdade, ainda quando funcionário de uma indústria desenhei muitas peças, mas desde que decidi empreender são 3 anos assinando as peças que crio. Desde então devo ter desenhado mais de 150 produtos. Gosto de várias peças, Cora, Cavalera, Canela, Bag, 14Bis, Pilão, Trentini, Patagônia, mas para não me estender demais, vou me conter a falar apenas de uma delas, a que tem sido minha paixão dos últimos dias, a VIP. Bom, é difícil falar da própria criação, mas vou tentar descrever o meu sentimento com relação a ela; gosto do resultado da VIP, minimalista, com um ar Bauhaus, me agrada o equilíbrio das linhas, a proporção entre os elementos é agradável ao olhar, o resultado de semiótica dela me parece ser muito coerente. Particularmente vejo poucas poltronas que tem semelhança com os traços dela.

5. Recentemente você participou como expositor e visitante da Feira do Móvel de Milão. Quais as suas impressões?

Vou a Milão há alguns anos, nos dois últimos tive a oportunidade de expor também, tanto no iSaloni quanto no Brazil SA. Como expositor é uma experiência única, estar dentro da maior feira de mobiliário do mundo, na capital do design é fantástico, dá uma visibilidade muito boa para o trabalho, principalmente aqui no Brasil. Visitar o evento faz parte da agenda do ano, ver e entender o que está acontecendo no mercado é fundamental para manter o olhar e mente atentos.

6. Como você vê o futuro do mercado do design? Quais as tendências?

É um mercado promissor e que está se profissionalizando, tanto designers e indústria estão vendo que a profissão oferece muito mais que um bom resultado estético, percebendo que design pode e deve fazer parte da estratégia da indústria. Tendência é uma palavra difícil, existem modismos que vem e vão rapidamente, cores, materiais, padrões estéticos, etc. Acho perigoso levar isso muito ao pé da letra, corre-se o risco de criar algo que terá um curto prazo de validade. Desenvolver um produto não é barato, logo precisamos buscar algo que perdure no mercado, desejável seria que cada peça atravessasse por gerações, assim como a de alguns grandes mestres brasileiros.

7. Algum novo projeto pela frente?

A cabeça está fervendo, criando muita coisa para diferentes parcerias, mobiliário de área externa e interna, de poltronas, sofás a mesas, cadeiras e aparadores. Gostaria de entrar em outras área do design para objetos de casa, luminárias, louça, talheres, mas é uma ideia que ainda estou amadurecendo.